Exposição reúne obras inéditas, trabalhos históricos e programação audiovisual para celebrar o legado da artista brasileira.
A artista Nisete Sampaio (1938–2025) será homenageada com uma grande retrospectiva a partir deste sábado (17), no Rio de Janeiro. A Mostra Nisete Sampaio – Retrospectiva em homenagem à mestra será inaugurada às 14h no OLugar Arte Contemporânea, espaço localizado na Fábrica Bhering, no bairro de Santo Cristo, região central da capital fluminense.
Com curadoria de Thiago Prado e J. L. Bruno, a exposição reúne obras que atravessam mais de cinco décadas de produção artística. O público poderá ver desde trabalhos inéditos e objetos da fase mais recente da artista até seus conhecidos desenhos em bico de pena dos anos 1980, além de pinturas de grandes dimensões — algumas com mais de quatro metros de comprimento. A mostra inclui ainda uma obra rara de 1967, ano em que Nisete ingressou no circuito das artes, cedida pelo artista Inácio Rodrigues.
A trajetória de Nisete Sampaio foi marcada por um diálogo direto com os grandes abalos políticos, sociais e éticos do país. Sua obra atravessou o período da ditadura militar, a redemocratização, as lutas indígenas e os debates sobre gênero e sexualidade, sempre a partir de uma postura radicalmente livre e profundamente humana. As telas e desenhos apresentados não pedem consumo rápido: exigem tempo, atenção e escuta, como já apontou o crítico José Mello ao definir sua produção como um convite à “cuidadosa e delicada contemplação”.
Em um cenário artístico ainda atravessado por machismo, etarismo e apagamentos históricos, a retrospectiva também assume um caráter de reparação simbólica. Mais do que revisitar uma carreira, a mostra propõe um reencontro com uma artista que fez da arte uma forma de existir — e da existência, um gesto contínuo de criação.
Além da exposição, a programação inclui uma mostra de curtas-metragens, com curadoria de Gabriela Posada. Os filmes lançam um olhar investigativo sobre a obra e o pensamento de quatro artistas: Inácio Rodrigues, Nisete Sampaio, Eryk Rocha e Tunga. As exibições acontecem nos dias 17 e 23 de janeiro, sempre às 16h, reforçando a conexão entre diferentes gerações e linguagens artísticas.
Entre os destaques está o documentário Olhar Nisete Sampaio, premiado em festivais no Chile, nos Estados Unidos, na Colômbia e no Brasil. Também integram a programação os curtas Quimera (2004), de Eryk Rocha, e Medula (2012), ambos incorporados ao acervo permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e do Centro Georges Pompidou, em Paris.
O encerramento da mostra contará ainda com um bate-papo no dia 24 de janeiro, às 16h, com o historiador e professor Paulo Debom. O encontro propõe uma reflexão sobre a invisibilização das mulheres na história da arte e a necessidade de pensar esse campo no plural, a partir da obra de Nisete Sampaio e de outras trajetórias frequentemente silenciadas.
A exposição poderá ser visitada nos dias 17, 23 e 24 de janeiro, das 14h às 19h, no OLugar Arte Contemporânea, na Fábrica Bhering (Rua Orestes, 28, 3º andar, Santo Cristo, Rio de Janeiro).
Fonte: Fórum (Por: Marcelo Hailer)
